Crianças, éramos todas mágicas. Nossa imaginação? Ah! Essa não conhecia limites nem fronteiras, a tudo abarcava. Um simples carretel de linha, uma lata de sardinha, de óleo ou de doce transformava-se num carrinho, caminhão, trator. Pedaços de ossos (juntas do boi, mocotó), tanto viravam o rebanho da fazenda quanto carrinhos e até mesmo bebês. Cabeça de lagosta depois de seca virava cavalo ou boi que puxava as carroças. Talo de bananeira virava espingarda, seixos de pedras, bebês, cuidadosamente encoeirados (enrolados) em pedaços de panos. Papel de embrulho, papel colorido e molambos (pedaços de pano) para fazer o rabo viravam corujas a rodopiar em pleno ar, guiadas pela mão ágil dos meninos. Sabugos de milho, vestidos, transformavam-se em reis, rainhas, moças e rapazes.
Os brinquedos e as brincadeiras transformavam a nós, e o mundo a nossa volta, como num passe de mágica, tal qual Aladim com sua lâmpada.
Brincar era a coisa mais importante que fazíamos, encarada com a maior seriedade e até certa gravidade se fazia presente na maneira como vivenciávamos os papéis, as encenações. Toda a nossa vida estava relacionada aos brinquedos, às brincadeiras – jogos, adivinhas, parlendas, trava-línguas, estórias, ditos e rimas infantis, cantigas de roda, de ninar, garrafão, tica-tica, esconde-esconde, touro-passa, perna de pau, pé de quenga, cama de gato, bafo, galamarte, pau de sebo, gato no pote, dentre outras brincadeiras.
Brincar era a coisa mais importante que fazíamos, encarada com a maior seriedade e até certa gravidade se fazia presente na maneira como vivenciávamos os papéis, as encenações. Toda a nossa vida estava relacionada aos brinquedos, às brincadeiras – jogos, adivinhas, parlendas, trava-línguas, estórias, ditos e rimas infantis, cantigas de roda, de ninar, garrafão, tica-tica, esconde-esconde, touro-passa, perna de pau, pé de quenga, cama de gato, bafo, galamarte, pau de sebo, gato no pote, dentre outras brincadeiras.
O brinquedo, ponte para o imaginário, era um meio de exercitar a imaginação, a memória, a convivência, a autoria. Momento de deixar fluir a fantasia, externar as emoções, as criações, experimentar papéis, ensaiar para a vida adulta, amadurecer.
Quem um dia não foi “Senhora”, rica e poderosa: “Eu sou rica, rica, rica de mavé, mavé, mavé, eu sou rica, rica, rica de mavé gepê [...]”. “Senhora D. Sanja, coberta de ouro e prata, descubra o seu rosto quero ver a sua cara [...]”. Mãe dedicada e zelosa: “Eu não dou as minhas filhas, no estado em que elas estão, nem por ouro, nem por prata, nem por sangue de Alazão [...]”.
Virtudes de honra, lealdade e obediência às regras eram valorizadas nessas brincadeiras com um detalhe: pobres e ricos, brincávamos todos em condições de igualdade. Os papéis eram trocados à medida que a brincadeira ia avançando.
Virtudes de honra, lealdade e obediência às regras eram valorizadas nessas brincadeiras com um detalhe: pobres e ricos, brincávamos todos em condições de igualdade. Os papéis eram trocados à medida que a brincadeira ia avançando.
Beeeeijos!

Nenhum comentário:
Postar um comentário